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O primeiro título de 2000

Ajudado por Alex Oliveira, Romário ergue a Taça Guanabara, conquistada de maneira invicta, após a retumbante goleada de 5x1 no Flamengo, que ficou conhecida como Chocolate de Páscoa.

João Havelange 2000

Copa João Havelange foi o nome adotado para a edição de 2000 do Campeonato Brasileiro de Futebol, em homenagem ao ex-presidente da CBF e da FIFA João Havelange. Impossibilitada pela Justiça de organizar o campeonato, a CBF passou a responsabilidade ao Clube dos 13. Mas, como este não pôde aplicar os critérios de acesso e descenso do ano anterior, acabou gerando o maior Campeonato Brasileiro de todos os tempos, reunindo 116 clubes de três divisões em um único torneio, porém dividido em 4 módulos na sua primeira fase. Porém antes do início do torneio o Clube dos 13 afirmou que não pretendia realizar uma segunda edição no ano seguinte, retomando à CBF o direito de organização[1]

O campeão foi o Vasco da Gama, que conseguiu o seu quarto título nacional, repetindo os feitos de 1974, 1989 e 1997. O vice-campeão, surpreendentemente, foi o São Caetano, que havia sido fundado há pouco mais de 10 anos e que começou a disputa no Módulo Amarelo (correspondente à Série B), mas que chegou à final eliminando equipes tradicionais como Fluminense, Palmeiras e Grêmio.

Em sua trigésima edição, a última do século 20, o Campeonato Brasileiro confirmou seu histórico de desorganização institucional, mas também se consolidou como o campeonato de futebol mais disputado do mundo: 13 clubes diferentes conseguiram o título de Campeão Brasileiro em apenas 30 anos. No mesmo período (1971-2000), por exemplo, o futebol da França e o da Inglaterra tiveram 10 campeões diferentes cada; o da Argentina teve 9 (mas com um total de 39 campeonatos disputados); o da Itália teve 8; Alemanha, Espanha e Uruguai tiveram apenas 7 campeões; e em Portugal apenas 4 clubes comemoraram o título de campeão nacional.

O jogo de volta, que começou a ser disputado no dia 30 de Dezembro de 2000, ficou marcado pela queda de parte da grade de separação do Estádio São Januário, causando 168 feridos. Este jogo, inicialmente programado para o Maracanã, acabou sendo disputado no Estádio São Januário. O motivo da mudança não é claro. O Vasco da Gama, clube mandante do jogo, afirma que a decisão de levar o jogo para São Januário foi apenas para não atrapalhar as reformas que estavam a decorrer no Maracanã. O então governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, afirma que o vice-presidente do Vasco da Gama Eurico Miranda levou o jogo para São Januário apenas porque não quis usar o Maracanã, que apesar das reformas, era capaz de receber um grande público com maior segurança.[5] Na época o Maracanã tinha uma capacidade perto de 100.000 mil torcedores e São Januário, de acordo com Eurico, tinha 40.000 lugares.

Foram colocados à venda 32.537 ingressos, porém testemunhas afirmam que viram pessoas entrarem no estádio sem ingresso. Com essa falha de segurança, rapidamente o estádio ficou superlotado. Aos vinte e três minutos de jogo, uma briga entre torcedores gerou confusão e parte da grade de separação da arquibancada cedeu. Imediatamente torcedores começaram a invadir o campo de jogo para evitarem ser pisados por outros torcedores em pânico. O jogo foi interrompido pelo árbitro, Eurico Miranda entrou em campo para agilizar a remoção dos feridos e para negociar o reinicio do jogo. Ao fim de duas horas ainda havia feridos em campo e o governador Anthony Garotinho decidiu intervir, ordenando a suspensão do jogo.

Segundo o regulamento da competição, se a torcida de um time fosse responsável pela interrupção de uma partida, o time seria punido com a perda do jogo, indo os pontos para a equipe adversária, o que faria do São Caetano campeão da Copa João Havelange. No entanto, após pressão dos dirigentes e da imprensa, foi realizada uma reunião entre representantes dos clubes envolvidos, das federações estaduais (SP e RJ) e do Clube dos 13, que terminou com a marcação de uma nova partida, para o dia 18 de Janeiro de 2001. Todo o impasse desse jogo final serviu para coroar o torneio como o mais desorganizado de todos os tempos.

As glorias do centenario


Quando comecou 1998, ano em que o Vasco comemoraria o centenario da sua fundacao, havia uma grande expectativa em relacao ao desempenho esportivo do clube, tanto por parte de sua torcida, como das torcidas adversarias. Ainda estava bem fresco na memoria dos torcedores cariocas o que havia se passado com um certo clube tres anos antes, quando o seu presidente havia prometido "ganhar tudo no centenario". Como se sabe, o que acabou sucedendo foi um total fracasso. Em vez do "ano do centenario", o clube do presidente fanfarrao teve que se contentar com o "ano do sem-ter-nada". Obviamente, o Vasco nao queria passar pelo mesmo vexame, e dedicou-se de corpo e alma a estruturar-se para o sucesso, nao so no futebol, como em todos os esportes. E, para felicidade geral de milhoes de vascainos, o ano do centenario do clube veio a ser um dos mais vitoriosos de sua historia. Em todos os esportes, foram conquistados titulos significativos, entre os quais podemos orgulhosamente destacar o campeonato estadual e Trofeu Brasil de remo, o sul-americano de basquete, o estadual de handebol, campeonatos estadual e brasileiro de futebol feminino, e, no futebol, as conquistas da Taca Guanabara, Taca Rio, Campeonato Estadual e Copa Libertadores.

Com o objetivo de suprir as ausencias de Edmundo e Evair, que haviam deixado a equipe, o Vasco fez contratacoes de peso para o seu ataque, trazendo Donizete e Luizao, jogadores com passagem pela selecao brasileira. O resto do time continuou sendo a mesma base da campanha do Campeonato Brasileiro de 97. Para o Estadual de 98, a disparidade entre a forca do Vasco e os demais era tao aparente, que estes nao tiveram escrupulos em recorrer a manobras incriveis para tentar esvaziar a competicao e deslustrar o inevitavel titulo vascaino. Recorreram ate' `a molecagem de nao comparecer a campo, sob o pretexto de estarem protestando contra algumas transferencias de datas que o Vasco necessitava para evitar colisoes com compromissos pelas Copas do Brasil e Libertadores. Naturalmente fingiam que se esqueciam que a confusao do calendario foi culpa deles proprios, que tinham exigido a compressao da tabela do estadual para que pudessem dedicar-se exclusivamente ao Torneio Rio-Sao Paulo. Enfim, o fato e' que, as vitorias por WO tornaram a tarefa do Vasco ainda mais facil, e o clube tratou de conquistar com algumas rodadas de antecedencia os titulos da Taca Guanabara e Taca Rio e, consequentemente, do Campeonato Estadual, sem precisar de uma final.

Na Copa do Brasil, o time acabou nao conseguindo sua classificacao para a final, caindo na semifinal para o Cruzeiro. Porem a atencao de todos voltava-se para a Copa Libertadores. O inicio da campanha nao fora alentador, com o time conquistando apenas um ponto em tres partidas fora de casa. Os adversarios no grupo eram Guadalajara e America, do Mexico, e o Gremio. Nas tres partidas de volta, todas em Sao Januario, o Vasco nao podia pensar em perder para se classificar. De fato, a classificacao foi alcancada com duas vitorias indiscutiveis sobre o Gremio por 3 a 0 e sobre o Guadalajara por 2 a 0, e com o simples empate com o America, na ultima partida, o Vasco se classificou em segundo lugar no grupo. A partir dai', o time embalou na competicao e consecutivamente eliminou a Cruzeiro e Gremio, campeoes da Libertadores nos dois anos anteriores, e enfrentaria na semifinal o River Plate, apontado como a melhor equipe do continente e favorito para o titulo. Foi um confronto de proporcoes epicas. Apos superar a equipe argentina por 1 a 0 em Sao Januario, o Vasco arrancou um empate em 1 a 1 no Monumental de Nunez, sob intensa pressao, gracas a um golaco de Juninho, que havia entrado como substituto, numa magnifica cobranca de falta de longa distancia, faltando 8 minutos para o fim da partida. A final seria contra o Barcelona, de Guayaquil, em agosto, exatamente o mes em que as celebracoes pelo centenario atingiam o climax. A primeira partida foi um passeio em Sao Januario, e o placar de 2 a 0, com gols de Donizete e Luizao, saiu barato para os equatorianos. Mesmo assim, criou-se no Equador um clima de guerra para a segunda partida, e a torcida do Barcelona, ate' mesmo com uma certa dose de ingenuidade, acreditava que podia superar a vantagem vascaina. Mas na medida em que sua esperanca era destruida dentro do campo pelos craques vascainos, que ao final do primeiro tempo ja' haviam marcado 2 a 0, novamente por intermedio de Luizao e Donizete, os frustrados equatorianos nas arquibancadas do belissimo Estadio Monumental de Guayaquil passaram a agredir os torcedores vascainos presentes. Porem no final prevaleceu a alegria dos vascainos, pois com o resultado final de 2 a 1 podiam comemorar a inedita conquista da Copa Libertadores. Era mais um titulo sul-americano para o Vasco, numa repeticao do que havia acontecido 50 anos antes em Santiago do Chile. Houve uma grande carreata na volta da delegacao ao Rio, com milhares de vascainos desfilando pela cidade, do Galeao `a Zona Sul e terminando em Sao Januario, a festejar o centenario, a conquista e seus herois.

Depois disso, a partida em Toquio contra o campeao europeu, o Real Madrid, valendo o titulo mundial de clubes, passou a ser a prioridade. A equipe se apresentou no Campeonato Brasileiro com sucessivos desfalques - sendo o mais serio o de Pedrinho, que sofreu uma gravissima lesao no joelho apos uma entrada de um zagueiro do Cruzeiro -, enquanto que, na Copa Mercosul, o Vasco foi representado pelo Expressinho. Em ambas as competicoes, nao conseguiu classificacao para as fases decisivas. De qualquer forma, a estrategia previamente tracada era embarcar rumo a Toquio tao somente terminasse a fase de classificacao do Brasileiro, para poder se aclimatar e se acostumar com a diferenca de fuso horario no Japao. Desta maneira, mesmo que tivesse obtido a classificacao entre os oito primeiros - e esta so' escapou por causa de um empate com o Goias na ultima rodada - o Vasco teria que utilizar o Expressinho nas play-offs.

A caminho de Toquio, o Vasco ainda fez uma escala nos EUA, para um compromisso contra o DC United valendo a Copa Inter-Americana, que anualmente reune os campeoes das Copas Libertadores e da Concacaf. Na primeira partida, em Washington, o Vasco venceu por 1 a 0 e a segunda partida se realizaria durante a volta de Toquio ao Rio. O resultado positivo serviu para aumentar mais a motivacao para o confronto contra o Real Madrid. Os vascainos tinham motivos para estarem confiantes, pois teriam 10 dias para treinar e se condicionar para o confronto, enquanto que o campeao europeu, que chegaria na antevespera da partida, vinha cumprindo uma campanha de altos e baixos no campeonato espanhol, exibindo a cada jogo pontos vulneraveis na sua defesa. Lamentavelmente, quando a bola rolou, a equipe cruzmaltina nao soube impor um estilo de jogo ofensivo, que explorasse as deficiencias da zaga adversaria, e concedeu a iniciativa da partida aos espanhois. Passou o primeiro tempo sendo sufocada pelo adversario e acabou tomando um gol contra numa cabecada de extrema infelicidade do cabeca-de-area Nasa. A reacao parecia estar a caminho no segundo tempo, quando o Vasco equilibrou a partida, alcancou o empate num gol de Juninho, e partiu para cima do Real Madrid. Esteve a ponto de marcar, porem acabou tomando o segundo gol num contra-ataque, e nao teve mais tempo para se recuperar. A perda do titulo mundial abateu os jogadores e, quatro dias depois, um Vasco apatico foi derrotado pelo DC United por 2 a 0 em Fort Lauderdale, consequentemente deixando de ganhar tambem a Copa Inter-Americana. Uma conclusao triste, que os vascainos nao mereciam, de um ano que ate' entao havia lhes sido tao generoso em alegrias.

O terceiro titulo brasileiro

O Vasco comecou sua participacao no campeonato brasileiro de 1997 com um elenco reformulado, mas mesmo assim nao havia muita gente que lhe atribuisse o mais ligeiro favoritismo. Ainda mais que o clube tambem teria que disputar em paralelo a Supercopa dos campeoes sul-americanos, devido ao reconhecimento oficial, por parte da Confederacao Sul-Americana, do historico titulo do Campeonato Sul-Americano de Clubes Campeoes de 1948. Mas os reforcos que chegavam a Sao Januario vinham cair como uma luva na equipe, que ia sendo armada na surdina pelo tecnico Antonio Lopes. Depois de anos, o Vasco voltava a ter uma equipe guerreira, com uma defesa solida, um meio campo a um tempo combativo e criativo e um ataque temivel.

Estas caracteristicas nao se formaram instantaneamente. No inicio da competicao, faltava entrosamento e padrao de jogo a equipe, alem de haver o problema da renovacao de contrato do grande goleiro Carlos Germano e uma contusao de lenta recuperacao de Juninho. Por isso o Vasco comecou perdendo pontos nas duas primeiras partidas. Mas nao tardou e a equipe comecou a vencer e a subir na tabela de classificacao, apesar de ter a menos duas partidas que haviam sido adiadas. Varios jogadores se destacavam, a comecar pelo goleiro Marcio, que de terceiro reserva passava a suprir brilhantemente o desfalque temporario de Carlos Germano. Odvan e Mauro Galvao se firmaram como parceiros ideais de zaga, onde a vitalidade e simplicidade do primeiro eram um complemento perfeito `a experiencia e classe do segundo. O lateral esquerdo Felipe, revelacao dos juniores, demonstrava muita habilidade e eficiencia no apoio. O meio-campo unia a tenacidade de Luisinho e Nasa na marcacao `a habilidade de Juninho e Ramon na criacao de jogadas. No ataque, Evair cumpria com abnegacao uma funcao tatica `a qual nao estava acostumado, de recuar e abrir espacos. Mas o principal fator de desequilibrio era mesmo Edmundo, que a cada partida parecia mais impossivel de ser marcado.

Os adversarios faziam de tudo para parar o genial artilheiro. Dentro de campo, eram as provocacoes para queimar o seu notorio pavio curto; fora de campo, a imprensa nao perdia uma oportunidade para alardear declaracoes polemicas do jogador, ou lembrar, sem motivo, suas antigas rixas com Evair, que havia sido seu parceiro de ataque no Palmeiras. As vezes as provocacoes funcionavam, como na partida contra o America de Natal, no Rio Grande do Norte, em que Edmundo acabou expulso e, na saida, muito irritado, declarou que "o Vasco vem jogar na Paraiba e botam um Paraiba para apitar". Depois deste incidente, explorado fora de proporcoes pela imprensa, Edmundo decidiu nao conceder mais entrevistas e declaracoes. Talvez por isso seu futebol cresceu ainda mais e seu comportamento disciplinar passou a ser muito bom. Enquanto Edmundo ia acumulando gols, o Vasco ia acumulando vitorias, e quem nao gostava tinha que engolir.

Numa noite de quarta-feira em Sao Januario, o Vasco goleou por 6 a 0 ao lanterna Uniao Sao Joao, com todos os gols marcados por Edmundo, que assim quebrou o recorde do campeonato brasileiro, de maior gols numa unica partida, que era de Roberto Dinamite e Ronaldinho, com cinco. Mais alem, ele quebraria outro, o de maior artilheiro em um campeonato brasileiro com 29 gols, superando a Reinaldo, que em 1978 havia marcado 28.

Depois de uma inesperada goleada sofrida na Supercopa para o River Plate, em Buenos Aires, por 5 a 1, os jogadores vascainos passaram a mostrar ainda mais uniao e determinacao no campeonato brasileiro e, ao fim da primeira fase, o Vasco obteve uma sequencia categorica de bons resultados que passavam a credencia-lo aos olhos da torcida como principal candidato ao titulo. Invicto em jogos no Rio, o time garantiu antecipadamente o primeiro lugar na primeira fase, apresentando a melhor campanha, o melhor ataque, o artilheiro e o melhor jogador do campeonato. A melhor campanha lhe assegurava a vantagem de poder terminar empatado na classificacao na fase semifinal para passar a final, e nesta, a vantagem do empate no placar global, o que acabou sendo decisivo.

Dos outros sete clubes classificados para a fase semifinal, o Vasco tinha derrotado a cinco na primeira fase - Internacional, Atletico-MG, Portuguesa, Flamengo e Palmeiras -, empatado com o Juventude e perdido apenas para o Santos. Na fase semifinal, o Vasco continuou demonstrando a sua superioridade. Comecou vencendo o Juventude fora de casa. A seguir, empatou em 1 a 1 com o Flamengo, um resultado favoravel, levando-se em consideracao a vantagem do empate na classificacao, mas que foi comemorado pelos adversarios como uma vitoria. Foi dito que o Vasco havia sido amarrado com um "no' tatico" e passaram a relembrar a eliminacao do Vasco pelo proprio Flamengo no campeonato brasileiro de 1992. Tudo ilusao de quem no fundo sabia que nao tinha time suficiente. Enquanto o Vasco, com uma tremenda pinta de campeao, vencia a perigosa Portuguesa no Maracana e repetia a dose no Morumbi, o Flamengo perdia bisonhamente para o Juventude em Porto Alegre. Mesmo que o Vasco perdesse a proxima partida para o Flamengo, bastaria uma vitoria sobre o Juventude no Maracana na ultima rodada para passar `a final, independente do resultado de Portuguesa x Flamengo em Sao Paulo.

Foi nessa situacao desesperadora que o Flamengo entrou em campo, com a obrigacao de atacar a qualquer custo. O tecnico Antonio Lopes entao tranquilamente posicionou o time para explorar os contra-ataques, e no final nao deu outra: Vasco 4 a 1, com tres gols e nova atuacao de gala de Edmundo, numa aparente repeticao do resultado do ano anterior. Com a diferenca que, naquela ocasiao, ambas equipes ja' nao tinham nenhuma aspiracao no campeonato, e nesta, o resultado valia a classificacao antecipada do Vasco na final. O terceiro gol de Edmundo, um golaco digno de antologia, foi inclusive o que quebrou o recorde da artilharia dos campeonatos brasileiros.

Depois desta goleada historica, a torcida vascaina estava de alma tao lavada, que dizia-se (retoricamente) que nao era nem preciso o Vasco fazer mais nada no campeonato. E realmente o Vasco nao venceu as tres partidas que lhe restavam. Mas nem era preciso. Depois do empate do time reserva com o Juventude, so' para cumprir tabela, o Vasco chegava a final contra o Palmeiras, o vencedor do outro grupo, com a vantagem da igual diferenca de gols, e foi o que aconteceu. A primeira partida, no Morumbi, e a segunda, no Maracana, foram durissimas mas, com dois empates sem gols, o Vasco conquistou o seu terceiro titulo brasileiro, com todo o merecimento.

Chegava assim o Vasco ao ano do seu centenario laureado como campeao brasileiro, com uma oportunidade de tentar vencer a Copa Libertadores e sonhar com o Mundial de Clubes em Toquio. Infelizmente, todavia, sem Edmundo, que deixava o Vasco rumo `a Italia, para jogar pela Fiorentina.

Jogadores de aluguel, tecnicos "prestigiados"

Depois do tricampeonato estadual, seria logico que o Vasco partisse para conquistas de alcance maior. Para isto teria que manter o elenco e reforcar o plantel nas posicoes carentes. No entanto o que se viu foi o oposto: Por um lado o elenco ia sendo dilapidado a precos camaradas; por outro, uma serie de jogadores de qualidade duvidosa, para nao dizer inuteis, cujos nomes nem vale a pena lembrar aqui, passaram a ser alugados de empresarios por quantias relativamente absurdas. Transacoes certamente vantajosas para os empresarios dos jogadores, e sabe la' quem mais, mas prejudiciais ao clube.

Deste modo, nao se constituiram em surpresas as campanhas mediocres no campeonato estadual de 95 - quando o Vasco deveria estar tentando o tetracampeonato - e no estadual de 96, nem as piores colocacoes obtidas pelo clube na historia dos campeonatos brasileiros - em 95 e 96 o clube terminou perto da zona de rebaixamento. Os treinadores, que nestas ocasioes sao sempre os bodes expiatorios, passaram a nao esquentar lugar em Sao Januario: foram nada menos de quatro tecnicos em 95 e cinco em 96. O ano seguinte seria de eleicoes, a politica interna comecava a ferver e a torcida fazia protestos contra a administracao do clube.

Porem houveram algumas excecoes a estas tendencias, que fizeram com que o Vasco escapasse deste cenario sinistro, que lembrava um pouco as fases passadas na decada de 60. No meio de tantas pessimas contratacoes, umas poucas acabaram sendo acertadas. Em 95, o passe de Juninho, da selecao brasileira de juniores, foi comprado do Sport Recife. Em meio ao campeonato brasileiro de 96, foi contratado o meia Ramon, eficiente jogador que estava ha' alguns anos na Europa. Mas a melhor contratacao, que devolveu ao Vasco o idolo que a torcida precisava desde a saida de Valdir para o Sao Paulo, foi a volta de Edmundo. Depois de continuar se destacando no Palmeiras, ele havia passado duas temporadas muito ruins no Flamengo e no Corinthians. Quase no fim de 96, com o clube claudicando no campeonato brasileiro, a volta de Edmundo foi concretizada, e ele logo demonstrou do que era capaz ao marcar tres gols numa goleada por 4 a 1 sobre o Flamengo.

Mesmo com Edmundo, o elenco ainda deixava a desejar. Apos mais uma campanha mediocre no baguncado campeonato estadual de 97, a diretoria concluiu que a unica chance de ser reeleita para o importante mandato do centenario do clube seria formar um time forte, capaz de ser um real candidato ao campeonato brasileiro. Consequentemente, as negociatas com empresarios de jogadores foram substituidas (pelo menos para a ocasiao) por contratacoes responsaveis, ainda que por emprestimo, visando a preencher as posicoes carentes do time. Outra decisao acertada foi a de interromper o circulo vicioso das trocas sucessivas de tecnicos e deixar que o trabalho do tecnico pudesse usufruir de continuidade. Como nao acontecia ha' mais de dez anos, finalmente o Vasco atravessaria alguns anos tendo um unico tecnico, Antonio Lopes.

O tricampeonato estadual 92/93/94

O campeonato estadual invicto de 92 foi conquistado ate' com uma certa facilidade, mesmo com o time sentindo a falta de Bebeto, vendido antes do inicio da competicao ao La Coruna. No primeiro turno, o Vasco terminou com dois pontos de vantagem, e no segundo, com seis, tendo assegurado o titulo com duas rodadas de antecedencia.

Em 93 e 94, a disputa foi mais dura, e o Vasco teve que decidir contra o Fluminense em ambas as ocasioes: Em 93, numa melhor de quatro pontos, em que o time estava muito desfalcado mas mesmo assim garantiu o bicampeonato num empate sem gols na partida final, com Bismarck ainda perdendo um penalti. Em 94, na ultima rodada do quadrangular final, novamente venceu o mesmo adversario, que outrora fora sempre tao dificil de superar, por 2 a 0. O Vasco, que ja' havia vencido mais uma vez o Flu na partida decisiva da Taca Guanabara com uma goleada de 4 a 1, permaneceu invicto ate' quatro partidas antes do fim do campeonato, quando sofreu o que viria a ser a sua unica derrota numa partida contra o Flamengo, com uma arbitragem muito contestada e os jogadores ainda traumatizados pelo falecimento do jogador Dener num acidente automobilistico dias antes. Dener, uma das grandes revelacoes do futebol brasileiro, havia sido emprestado ao Vasco pela Portuguesa de Desportos no inicio do ano.

Infelizmente, quando o Vasco iniciava mais um periodo de hegemonia no futebol carioca em 92, este ja' mostrava os efeitos dos muitos anos de administracao do nefasto "Caixa D'Agua", da incompetencia e falta de carater dos seus cartolas, num pais onde a politica do futebol nao deixa de ser um reflexo da sociedade em geral. Nenhum jogo do campeonato estadual de 92 pode ser disputado no Maracana interditado, abandonado e caindo aos pedacos. O publico pagante diminuia, desanimado nao so' pelos problemas cronicos de falta de seguranca nos estadios, falta de organizacao do calendario e denuncias de corrupcao, mas sobretudo pelo subito enfraquecimento tecnico dos clubes.

A bem da justica, diga-se que o Vasco, apesar de tambem ter dilapidado o seu elenco a exemplo dos outros clubes, foi todavia o que continuou a revelar mais talentos, alem de realizar contratacoes significativas. Durante a campanha do tricampeonato, foram revelados jogadores do quilate de Valdir, Edmundo (vendido apos ter sido o craque do campeonato de 92), Carlos Germano, Pimentel, Leandro, Yan e Gian, e contratados Luisinho, Ricardo Rocha e o tragicamente falecido Dener. Assim, o tricampeonato foi a consequencia inevitavel da diferenca de categoria entre a equipe do Vasco e as demais.

Os numeros da carreira de Roberto e a sua despedida

Ainda em 1988, Roberto havia sofrido uma grave contusao muscular que o afastou do campeonato carioca na terceira rodada. Muitos previam o final da sua carreira, aos 34 anos. Depois de lenta recuperacao e de passar duas temporadas emprestado a Portuguesa de Desportos e ao Campo Grande, retornou ao Vasco em grande estilo para liderar a equipe em 1992, na conquista que daria inicio ao tao almejado tricampeonato carioca. Melhor ainda, de maneira invicta.

Roberto encerrou sua bela carreira triunfalmente como o maior goleador da historia do Vasco, com 698 gols em 1110 partidas. No total da sua carreira, marcou 744 gols em 1201 partidas, sendo o sexto maior goleador do futebol brasileiro em todos os tempos. E' o maior artilheiro da historia do Campeonato Brasileiro, com 190 gols acumulados (181 deles pelo Vasco). Na selecao, marcou 26 em 49 jogos, com uma media, portanto, de 0,53, superior a de qualquer centroavante seu contemporaneo.

O jogo de despedida de Roberto foi contra o La Coruna, que havia contratado Bebeto, em marco de 1993 no Maracana. A derrota por 2 a 0 tambem marcou a perda da longa invencibilidade cruzmaltina, de 32 jogos durante seis meses.

A contratação de Bebeto e o campeonato brasileiro de 1989

Com o dinheiro arrecadado com a venda de Romario, Geovani e varios outros jogadores para o exterior, o Vasco tirou de maneira espetacular Bebeto do Flamengo, com quem o jogador estava em litigio, ao depositar na federacao a quantia equivalente ao seu passe. Com Bebeto e outros reforcos, o Vasco sagrou-se em 1989 campeao brasileiro pela segunda vez, derrotando o Sao Paulo na final em pleno Morumbi por 1 a 0, gol de Sorato.

O bicampeonato estadual 87/88 e a trajetoria de Romario

Em 1985, subiu para equipe profissional do Vasco um baixinho invocado com toda a pinta de ser o sucessor de Roberto, e os dois formaram uma das duplas mais diabolicas que ja' militaram no futebol carioca - a dupla "Ro-Ro", que liderou a relacao de artilheiros em 1986 e 1987.

Apesar de obter a melhor campanha durante o estadual de 1986, o Vasco, depois de vencer a Taca Guanabara, acabou perdendo a decisao de um campeonato em que nao faltaram denuncias de compra de juizes por parte de dirigentes rubronegros - o famoso caso das "papeletas amarelas". Como sempre, tudo acabou esquecido e por esclarecer.

Porem, no campeonato carioca de 1987, o Vasco foi implacavel. Mais uma vez o time de melhor campanha e possuindo o ataque mais positivo, o Vasco afinal fez prevalecer a justica numa memoravel final contra o Flamengo, com um gol de Tita concluindo um passe de Roberto. Tiveram atuacoes destacadas ao longo de todo o campeonato Acacio, Mazinho, Dunga, Geovani e Tita, alem, e' claro, da dupla "Ro-Ro". Basta dizer que os tres maiores artilheiros do campeonato foram Romario com 16 gols, Roberto com 15 e Tita com 12.

No ano seguinte, reforcado pelas revelacoes dos juniores Sorato e Bismarck, o Vasco conquistou o bicampeonato, em que nao faltou uma memoravel sequencia de quatro vitorias sobre o Flamengo, coroadas com um golaco do obscuro reserva Cocada. No dia seguinte a decisao, as vendas de cocada preta na cidade seguramente bateram todos os recordes.

Entre 1987 e 1989, o Vasco tambem venceu os significativos torneios internacionais Trofeu Carranza (tri em 1987/88/89), na Espanha, e a Copa de Ouro (1987), em Los Angeles.

Apos o bicampeonato estadual de 1987/88, o time foi desfeito, para nao perder o costume, com o tradicional exodo de jogadores para a Europa, inclusive Romario. Vale a pena mencionar os numeros impressionantes de Romario nessa que seria a primeira de tres peridos jogando pelo Vasco: Artilheiro dos campeonatos cariocas em todas as categorias desde o infantil ao profissional, num total de 165 gols em 301 jogos (116 gols pela equipe profissional), campeao juvenil em 1983, junior em 1984 e profissional em 1987/88.

A venda e o retorno de Roberto

Afetado pela venda de alguns de seus principais jogadores, o Vasco passou a experimentar um terrivel destino: o de amargar em quase todas as competicoes que disputava o incomodo posto de segundo colocado. Apos ser derrotado na decisao do campeonato brasileiro de 1979 pelo Internacional, iniciaram-se as negociacoes que culminaram com a venda de Roberto para o Barcelona.

Em meio as crises desse clube e perseguicoes por parte do tecnico Helenio Herrera, Roberto nao se adaptou e alguns meses depois ja' estava de volta ao lugar de onde nunca deveria ter saido. Seu reaparecimento no Maracana deu-se num jogo inesquecivel do campeonato brasileiro de 1980 contra o Corinthians, quando, mais parecendo uma metralhadora, o Dinamite enlouqueceu o Maracana lotado ao marcar os cinco gols da vitoria por 5 a 2 - quatro deles no primeiro tempo.

Apesar de seguida e injustamente desprezado por quantos tecnicos que passassem pela selecao brasileira, que sempre tinham os seus prediletos para a sua posicao, principalmente quando chegava a epoca da Copa, ;-) Roberto continuava cumprindo brilhantemente a sua tarefa de marcar gols, tendo conquistado varias vezes a artilharia das competicoes. Porem o clube continuou vitima do estigma de varios vice-campeonatos estaduais e outro vice-campeonato brasileiro, em 1984. A excecao foi o campeonato estadual de 1982, quando o Vasco reuniu talento, determinacao e a corajosa decisao do tecnico Antonio Lopes de substituir cinco titulares para superar na final o eterno rival Flamengo, que contava com um forte elenco que havia ganho sucessivos titulos na epoca.

O timaço de 1977

Em 1976 o Vasco venceu a Taca Guanabara, que nesta altura valia como primeiro turno do estadual, e foi vice-campeao estadual, perdendo na prorrogacao a final contra o Fluminense. Naquele ano, Roberto formava com De' a primeira das varias duplas mortiferas de que participou ao longo de sua carreira, e pela primeira vez foi convocado para a selecao, onde foi titular do time que conquistou o Torneio Bi-Centenario nos EUA.

Em 1977, o Vasco reforcou o seu time em todas as linhas com os jogadores Orlando, Geraldo, Dirceu e Ramon, que juntamente com jogadores como Mazzaropi, Abel, Marco Antonio, Zanata e Roberto cumpriram sob a direcao de Orlando Fantoni uma empolgante campanha no campeonato estadual. O Vasco venceu ambos os turnos e teve o ataque mais positivo e a defesa menos vazada - apenas 5 gols em 29 jogos, um recorde na era do Maracana -, inclusive nao sofrendo nenhum gol durante todo o segundo turno.

O campeonato brasileiro de 1974

Na decada de 70, o primeiro titulo do Vasco foi o do campeonato brasileiro de 1974, que parecia tao impossivel face a qualidade individual das equipes adversarias. Mas o Vasco terminou por arrancar o titulo, exibindo muita garra, coracao e conjunto, derrotando o Cruzeiro na decisao por 2 a 1. O gol da vitoria historica foi marcado pelo ponta Jorginho Carvoeiro, que viria a falecer pouco mais de um ano depois. O time contava com uma forte defesa, onde pontificavam o goleiro Andrada e os zagueiros Miguel e Moises, e uma aplicada meia-cancha jogando em funcao de Roberto, que tornou-se o artilheiro da competicao.

A contratação de Tostão

Andava muito mal o Vasco no inicio da decada de 70. Por isso, ja' com o campeonato carioca de 1972 em pleno andamento, o passe do jogador tri-campeao mundial Tostao foi adquirido junto ao Cruzeiro mediante a maior quantia ate' entao paga por uma transferencia entre clubes brasileiros. A contratacao de Tostao parecia o prenuncio de uma era de glorias, porem no ano seguinte o craque voltou a ter problemas na vista operada, a mesma que quase o havia tirado da Copa de 1970, e acabou tendo que encerrar prematuramente a sua carreira, aos 27 anos.

Garoto Dinamite Explode no Maracana

Terminava o ano de 1971 e o Vasco fazia uma campanha mediocre no primeiro campeonato brasileiro, quando, num jogo de meio de semana contra o Internacional, no Maracana, foi lancado na equipe principal pelo tecnico Admildo Chirol um garoto de 17 anos. Ele marcou o segundo gol da vitoria por 2 a 0 com um petardo da entrada da area e, no dia seguinte, a manchete do Jornal dos Sports dizia em letras garrafais: "Garoto Dinamite Explodiu". O apelido pegou e o resto e' historia. Roberto esteve a servico do Vasco durante mais de 20 anos, com duas breves interrupcoes. Sua trajetoria no futebol brasileiro confunde-se com a do Vasco, constituindo-se em figura fundamental na maioria dos titulos conquistados pelo clube neste periodo.

Pele' e o Vasco


Numa partida no Maracana contra o Santos pelo Torneio Roberto Gomes Pedrosa de 1969, Andrada fechava o gol, evitando em varias oportunidades o milesimo gol do Rei. O escore de 1 a 1 foi mantido ate' quase o final da partida, quando aconteceu um penalti sobre Pele', e assim Andrada foi finalmente batido pela cobranca do proprio Pele'. O goleiro saltou para o canto certo e por milimetros nao conseguiu desviar a bola. A partida foi interrompida para que homenagens pudessem ser prestadas a Pele', que deu uma volta olimpica no estadio vestindo uma camisa do Vasco com o numero 1000 nas costas.

E por falar no maior jogador de todos os tempos, abra-se um parentese. Pele' nunca escondeu sua simpatia pelo Vasco, tendo sido um torcedor vascaino durante a sua infancia em Bauru. Quis o destino que Ele vestisse a camisa do Vasco no inicio da sua carreira, em junho de 1957, em tres partidas no Maracana, e melhor ainda, que marcasse um gol no Flamengo. Naquela ocasiao, um combinado Vasco-Santos disputava um torneio amistoso internacional com partidas no Rio e em Sao Paulo. Este torneio acabou suspenso devido aos prejuizos financeiros. O Combinado Vasco-Santos atuou quatro vezes, as tres primeiras no Rio com o uniforme do Vasco e a ultima em Sao Paulo com o uniforme do Santos. Na estreia, Pele' marcou tres gols na vitoria por 6 a 1 contra o Belenenses. A seguir, dois empates, contra o Dinamo Zagreb e Flamengo, ambos pela contagem de 1 a 1, e em ambas as oportunidades Pele' marcou para o Combinado. Na ultima partida, em Sao Paulo, o Combinado voltou a empatar por 1 a 1, desta feita contra o Sao Paulo, marcando novamente Pele'.

As atuacoes de Pele' pelo Combinado Vasco-Santos foram fundamentais para que o entao tecnico da selecao brasileira, Silvio Pirilo, decidisse convoca-lo para uma partida do Brasil contra a Argentina, no Maracana, dia 7 de julho de 1957. Foi a estreia do futuro Rei na selecao, aos 16 anos de idade. Ele entrou no segundo tempo no lugar de Del Vecchio e marcou o seu primeiro tento com a camisa canarinho. Mesmo perdendo por 2 a 1, o time brasileiro foi elogiado, e a presenca de Pele' foi aclamada.

O fim da espera pelo titulo carioca

O Vasco sempre foi um clube agitado por crises politicas, mas as dos anos 60 realmente abalavam o clube. Uma das maiores crises da historia do Vasco aconteceu em 1969, com direito a cassacao de presidente, muros pichados, coisa realmente seria. Entretanto, no ano seguinte - o do tricampeonato mundial - com a politica interna pacificada, voltaria ao seu lugar de honra no futebol carioca, com o time comandado pelo velho e sabio Tim. No campo, os destaques ficaram por conta do "Batuta" Silva e o grande goleiro argentino Andrada, que pelo que realizou na sua passagem no clube de 1969 a 1976 se constituiu num dos maiores goleiros que ja' defendeu o arco do Vasco, senao o maior. Cruelmente, a historia lhe reservou a dubia honra de ter tomado o milesimo gol de Pele'.

Um cemiterio de tecnicos

Em 1961, o Vasco estava na luta pelo titulo estadual, mas, dependendo de uma simples vitoria sobre o Olaria dentro de Sao Januario para manter suas chances, acabou perdendo por 3 a 2, resultado que viria a refletir na campanha eleitoral, que fervia. Tecnicos passaram a ser contratados e demitidos em pouco tempo, vitimas da impaciencia da diretoria e da torcida. Formou-se a lenda de que o Vasco era um cemiterio de tecnicos.

De 1960 a 1969, o Vasco trocou de tecnico nada menos do que 22 vezes. Durante este periodo, o unico que permaneceu no cargo por duas temporadas foi Zeze' Moreira, quando o Vasco conquistou seus unicos titulos significativos da decada: A primeira Taca Guanabara, torneio criado em 1965 para apontar o concorrente carioca na Taca Brasil, e o ultimo torneio Rio-Sao Paulo em 1966, no qual terminou empatado com Botafogo, Santos e Corinthians (nao houve decisao). Na Taca Brasil de 1965, o Vasco terminou vice, perdendo na decisao para o Santos, que naquela altura conquistava o pentacampeonato da competicao.

Depois de Zeze' Moreira, o outro tecnico que levou o time a boas campanhas foi Paulinho de Almeida, ex-lateral-direito do clube. Em 1968, sob sua direcao, o Vasco foi vice-campeao carioca e vice do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, empatado com Palmeiras e Internacional. Boas campanhas, porem faltou o titulo ansiado por todos em Sao Januario.

A escassez de craques na decada de 60

Almir tornou-se o grande idolo vascaino, mas acabou se envolvendo numa serie de episodios que deram-lhe a fama de jogador violento. Primeiro, foi o pivo de um enorme sururu no jogo Brasil 3x1 Uruguai, no Sul-Americano de 1959 em Buenos Aires. Cinco meses depois, numa partida contra o America, houve um lance de bola dividida com o jogador Helio, que saiu com a perna fraturada e nunca mais voltou a jogar. Apesar disso, a categoria do "Pernambuquinho" era incontestavel, chegando a ser denominado "Pele' Branco". Finalmente, em marco de 1960, o Vasco teve que o liberar mediante uma proposta irrecusavel por parte do Corinthians.

O Vasco tambem nao resistiu a outras propostas que acabaram tirando do clube as suas principais estrelas. Para reforcar o time, uma grande quantidade de jogadores "bonzinhos" ia sendo contratada e, na medida em que iam fracassando, eram substituidos por mais "bonzinhos". Por outro lado, a qualidade da prata da casa, que durante decadas havia sido constituida por craques em profusao, comecou a decair, e o clube entrou numa longa fase negativa, agravada pela tensao politica na administracao.

Durante a decada de 60 os melhores jogadores projetados pelo clube foram os zagueiros Brito e Fontana, que fariam parte da selecao tricampea mundial em 1970 apos deixarem o clube no ano anterior, e o atacante Celio, que, depois de chegar a ser testado na selecao, foi vendido para o Nacional de Montevideu, onde tornou-se um idolo. Poucos craques para quem estava acostumado a tanta fartura.

1958, um ano de grandes conquistas

Em 1958, o Vasco forneceu tres jogadores a selecao campea mundial, Bellini, Orlando e Vava'. Naquele ano glorioso, o Vasco conquistou pela primeira vez o Torneio Rio-Sao Paulo, que esteve por conquistar varias vezes na decada de 50, mas que ao final frequentemente terminava em segundo lugar, e venceu o campeonato carioca de forma particularmente emocionante. Faltando duas rodadas, o Vasco levava quatro pontos de vantagem sobre Flamengo e Botafogo, mas perdeu as duas ultimas partidas exatamente para estes adversarios. Foi entao necessario um supercampeonato entre os tres, que tambem terminou empatado, sendo entao disputado um super-supercampeonato, finalmente vencido pelo Vasco, ja' depois de iniciado o ano de 1959. O Vasco contava com a melhor defesa do pais e que todo mundo sabia de cor: Paulinho, Bellini, Orlando e Coronel. A defender o arco, estava de volta o veterano Barbosa, considerado por muitos o melhor goleiro da historia do clube. Mais uma vez o Vasco tinha um grande numero de atacantes de categoria no seu plantel e se deu ao luxo de vender o campeao mundial Vava' para o Atletico Madrid, ainda no inicio do campeonato. Mas ficavam Almir, Delem, Wilson Moreira, Roberto Pinto e Valdemar, que se revezaram no time titular nas posicoes do miolo do ataque, alem dos pontas Sabara' e Pinga, em otima forma.

Titulos internacionais do Vasco nos anos 50

Na decada de 50, o Vasco foi um dos clube brasileiros mais convidados a disputar torneios no exterior. Entre os torneios internacionais conquistados, encontram-se o torneio internacional do Chile em 1953, dois torneios internacionais no Rio naquele mesmo ano, e culminando em 1957 com as conquistas dos Torneios de Lima e Santiago, na America do Sul, e do Torneio de Paris e da Taca Teresa Herrera, durante uma arrasadora excursao a Europa. Nessa excursao, alem de vencer o todo-poderoso Real Madrid de Di Stefano e outros craques, bicampeao europeu na epoca, por 4 a 3, na final do Torneio de Paris, o Vasco obteve goleadas empolgantes sobre o Atletico Bilbao por 4x2, que lhe valeu a Taca Teresa Herrera, sobre o Barcelona por 7 a 2 e sobre o Benfica por 5 a 2. O tecnico Martim Francisco pegou as equipes estrangeiras totalmente desprevenidas com a sua tatica, que utilizava a descida dos homens de meio-campo para as conclusoes como fator surpresa. Os apoiadores Laerte e Valter Marciano acabaram entre os principais artilheiros da excursao. Valter, inclusive, foi imediatamente contratado por um clube espanhol, mas poucos anos depois faleceu tragicamente num acidente automobilistico.